URÂNIO EXAURIDO: Origem, aplicações e suas consequências

Poveda PF

O urânio exaurido, também conhecido como urânio empobrecido, urânio esgotado ou pela sigla DU (do inglês Depleted Uranium) é composto, quase na totalidade, pelo isótopo 238U (urânio-238) e é um subproduto do processo de enriquecimento ou reprocessamento de urânio natural para obtenção do isótopo 235U (Urânio-235), utilizado na fissão em reatores nucleares e bombas. Sua alta densidade (19.050 kg/m³), 67% superior à do chumbo, faz do urânio exaurido um material adequado para diversas aplicações civis e militares. No campo civil ele é usado principalmente como lastro em aeronaves, embarcações e submarinos e como escudo contra radiação. No meio militar é utilizado em projéteis (denominados “penetradores”), blindagens físicas e peças de artilharia em geral. Tais usos são controversos. Embora seja menos tóxico que outros metais pesados (como o arsênico e o mercúrio) e fracamente radioativo, em razão da sua longa meia-vida de cerca de 4,5 bilhões de anos, emite o equivalente a cerca de 60% da radiação emanada do urânio natural, foi comprovado, a partir de diversos estudos laboratoriais, que é tóxico para mamíferos, ataca o sistema reprodutivo e o desenvolvimento do feto, causando fertilidade reduzida, abortos e deformações nos recém nascidos. Testes citológicos mostraram que, à exposição crônica, o DU é leucogênico, mutagênico e também neuro tóxico.